A Copa das Incertezas

SOCIEDADE & CULTURA

Ivanildo Sampaio

2/22/20264 min ler

O jogador Vinicius, craque do Real Madri e da Seleção Brasileira de Futebol, foi, mais uma vez, recentemente, vítima de agressões racistas vindas de um jogador do Benfica, e da própria torcida do time português, num jogo válido pela Champions League, quando seu time derrotou a equipe portuguesa com um gol de sua autoria. Não foi a primeira vez e certamente não será a última em que o grande craque sofrerá agressões de torcedores e adversários, que não aceitam seu talento, sua coragem em campo e fora dele, jamais se curvando diante desses ataques covardes, quase sempre ocorridos sob o anonimato das arquibancadas, sem que a Fifa, até hoje, tenha tomado medidas duras e punitivas para combater esse tipo de violência anônima e suja.

Resolvesse, por exemplo, que a equipe onde o agressor atua seria punida com perda total da renda da partida, proibição de mando de campo e confisco dos pontos, se os conquistou, na partida onde a agressão aconteceu - certamente isso deixaria de ocorrer. Mas, até hoje, não houve, por parte da Fifa e das Confederações Continentais, uma decisão séria e dura para combater esse tipo de crime, porque, sob o manto da lei, racismo é crime. E Vinicius, assim como outros jogadores negros, continuam sendo agredidos nos mais diferentes estádios do mundo. Inclusive no Brasil.

Trago de volta esse triste episódio envolvendo, mais uma vez, Vinicius Junior, diante de uma realidade irreversível e preocupante: o Campeonato Mundial de Futebol, que será realizado este ano, pela primeira vez tendo três países como sede. Só mesmo a ganância e fome financeira de uma instituição como a Fifa, muitas vezes palco de corrupção desenfreada e escândalos que envolveram, inclusive "cartolas" brasileiros. Mas, e a Copa do Mundo, tendo como sede Os Estados Unidos, o Canadá e o México? Como vai acabar isso? E o turista que pretende ver a Copa, o que deve fazer? Reservar Hotel nos três países? Pular de um para outro, acompanhando a sua Seleção, desde que ela avance etapa por etapa? Encontrará hotel disponível?

Os dois primeiros países têm pouco tradição no futebol: o México é considerado uma "potência média", com experiência de já ter sido sede de Copa do Mundo, inclusive quando viu a Seleção Brasileira de Pelé, Gérson, Jairzinho, Rivelino e outros craques conquistaram o tricampeonato e a Taça Jules Rimet, que posteriormente seria roubada e derretida, sem que ninguém jamais tenha sido punido por isso. Os Estados Unidos tentam comprar com o dinheiro o talento que seus jogadores não têm: virou o paraíso de grandes craques em final de carreira, como aconteceu com Pelé, que foi jogar no Cosmos quando já há algum tempo havia "pendurado" as chuteiras no Brasil.

O dinheiro oferecido era muito, suas empresas enfrentavam crise por culpa de má gestão, Pelé era um ídolo no mundo inteiro e popularizou um pouco o futebol nos EUA. E essa política de contratar craques em fim de carreira contemplou outros jogadores, inclusive Lionel Messi, o genial craque argentino, que deixou o Barcelona onde já era um dos jogadores mais bem pagos do mundo, pelos milhões de dólares norte-americanos..

A pergunta que agora se faz: Como será uma Copa do Mundo realizada nos três países? E nos Estados Unidos? O racismo se fará presente nos Estádios de Futebol? O que se pode esperar de um país onde seu presidente, Donald Trump, coloca nas redes sociais uma montagem dos corpos de dois macacos com os rostos de um ex-presidente e de sua mulher, como ele fez com Barak Obama e sua mulher Michelle? Que ocuparam a Presidência com uma dignidade que ele jamais terá? Os torcedores terão liberdade e apoio para expor seu racismo com as bênçãos da Casa Branca?

Será permitido xingar e tentar humilhar jogadores negros, alguns muito mais dignos do que aqueles brancos que os xingam? E o Canadá? Possui ou não um histórico de racismo em sua sociedade, mesmo com seus portões abertos para a imigração? E a Fifa? Também se curvará ao poder de Trump, sob a ameaça de ser adquirida por ele, assim como ele já "comprou" a Venezuela e ameaça comprar a Groelândia?

É bom lembrar que, pelo menos até agora", não há, no Brasil, um clima de confiança na Seleção que que vai defender a tradição brasileiras nessa Copa "Tripartite". Os torcedores ainda se mostram cautelosos, sentem que não há, entre os que vão vestir a camisa verde-amarela um grande craque que, mesmo depois de Pelé, Se colocavam acima da média, como Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Romário e Zico.

Não tenho conhecimento de atos de racismo contra nenhum desses craques. Até porque quando algum deles se irritava, era o goleiro adversário quem pagava a conta, indo apanhar a bola no fundo das redes. E o treinador Carlo Anceloti, merece a fortuna que está recebendo? Que Vinicius continue combatendo esse racismo criminoso e inaceitável e, se puder, quando estiver irritado, faça como aqueles craques das Seleções de outrora: mande, com um sorriso malandro, os adversários irem também apanhar a bola no fundo das redes.