A República do Medo
POLÍTICA & PODER
Ivanildo Sampaio
2/1/20264 min ler


O presidente Luis Inácio Lula da Silva vai disputar o quarto mandato sem saber ainda quem será seu adversário, porém consciente de que o cidadão comum começa a duvidar das instituições, que parecem impotentes diante da violência que assola o Pais e de tantas transgressões com que se de defronta, impotente, a sociedade brasileira.
São assassinatos violentos, roubos, furtos, sequestros, golpes, tentativas de golpes pelas redes sociais, crimes de "colarinho branco", instituições bancárias que burlam a lei e colocam em risco salários de aposentados, no triste e rumoroso exemplo do Banco Master.
Esses crimes, algumas vezes, tem a participação de homens públicos, como ocorre agora com o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, enfiado até o pescoço no caso desse mesmo Banco Master, cujo processo, nas mãos do ministro Dias Toffolli tem gerado críticas e desconfiança, em todas as instâncias. E por aí vai...
Em São Paulo, a maior cidade do país, furta-se em nédia 500 celulares por dia, algumas vezes com violência e agressões ao proprietário. Inclusive com crimes de morte, registrados pelas câmeras de segurança. É lá também que estão os líderes das maiores facções do crime organizado, como o PCC, o Comando Vermelho e outras mais, pois como qualquer "indústria", a "indústria do crime" também se expande e gera "filiais".
Por uma questão de Justiça, não se pode atribuir apenas ao presidente Lula a explosão da violência no País. Ele apenas foi incompetente ao não combate-la. No final do ano passado, pesquisas apontavam que a questão da violência preocupava cerca de 40% da população Brasileira - números que vinham crescendo desde gestões anteriores, atravessando os Governos de Dilma Roussef e Michel Temer, sem arrefecer com Jair Bolsonaro. Alias, o ex-presidente escancarou as portas para criação de "Clubes de Tiro", venda de armas e outras medidas, que apenas pioraram aquilo que já era ruim.
O presidente Lula criou o Ministerio da Justiça e Segurança Pública que, até agora, ao longo de sua ainda curta história, não justificou a criação. Ricardo Lewandovski, que aposentou-se do STF e assumiu o novo Ministério, saiu quase tão silencioso como entrou - e no balanço final de sua gestão pouco deixou para ser contabilizado.
O ministro não conseguiu dialogar com o Congresso, infestado de lobistas ligados à indústria armamentista; foi isolado pelos governadores, que alegavam querer o Governo Federal interferir na autonomia dos Estados, o Presidente Lula como sempre, "não disse sim nem disse não", muito pelo contrário e o crime organizado continuou correndo solto.
Portanto, como costuma acontecer nesta gestão de Lula, o barulho na criação do Ministério foi grande, mas os resultados apresentados, ao longo da gestão de Lewandovski, foram pífios. Hoje, ainda não se sabe quem de fato e de direito será o adversário do presidente Lula nas próximas eleições, embora se saiba com certeza quase absoluta que a eleição para a Presidência será decidida no Segundo Turno. existem, hoje, algumas pré-candidaturas, que só tiveram coragem de ser assumidas após Jair Bolsonaro ser julgado, condenado e preso - e quando se concluiu que um projeto de anistia no Congresso tinha pouquíssimas chances de ser aprovado, além de ser considerado inconstitucional.
Depois de muitas idas e vindas, Bolsonaro decidiu que o "seu"candidato seria o "Zero Um", senador Flávio Bolsonaro, embora isso tenha Desagradado muita gente. Inclusive sua mulher, Michelle Bolsonaro, Mas, enquanto durou esse clima de incertezas e sem esperar o aval do ex-presidente, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, colocou sua candidatura na rua. Seu argumento mais forte: reduziu drasticamente os números da violência no seu Estado, e espalha por quatro cantos que "bandido em Goiás não tem vez" O governador Ratinho Junior, do Paraná, também um pré-candidato à presidência, coloca a questão da segurança como prioridade de uma possível campanha eleitoral.
O governador Tarcísio Freitas, de São Paulo, o Estado mais rico do País, sempre afirma que prefere disputar a reeleição a enfrentar uma campanha pela presidência, mas, no Estado mais rico do Brasil a violência também está nos primeiros lugares.
E a Polícia Militar de São Paulo é uma das mais letais do `País, ficando atrás apenas do Estado da Bahia, Cujo número d vítimas de ações policiais bate todos os recordes. Foi no Estado de São Paulo que o crime organizado nasceu, cresceu e se nacionalizou. Foi também la que assassinou, em praça pública e à luz do dia, um Ex-secretário de Segurança que teve a ousadia de, anos antes, perseguir e prender lideranças do Primeiro Comando da Capital. Já aposentado e trabalhando na Prefeitura de Santos, Rui Ferraz, um pernambucano de nascimento, - foi metralhado, sem chance de reação, quando seguia para o trabalho.
No outro extremo do País, as prisões dos Estados do Norte, especialmente do Amazonas e do Amapá, são controladas pelas facções do crime organizado. De dentro da cadeia, alguns Presos controlam o tráfico de drogas, especialmente da cocaína trazida dos países Produtores que fazem fronteira com o Brasil.
Pergunta-se: quais os planos e projetos que o Governo Federal tem para combater essa dura realidade? E o Governo do Estado, que não quer interferência federal para não "perder sua autoridade"?
Repetir o triste e recente exemplo do Rio de Janeiro, quando um confronto entre as forças policiais e o crime organizado terminou com um saldo de 222 mortos?
Os marqueteiros do presidente Lula, até hoje, sequer acenaram com alguma medida real Que o Governo vai tomar para combater a violência e devolver um pouco de paz a uma população amedrontada. Eu moro numa rua de poucas residências no Bairro do Poço da Panela. Quase todas as residências dessa rua onde, antigamente, os moradores à noite sentavam na calçada e confraternizavam com os vizinhos, são monitoradas por sistemas de segurança. Os jardins são protegidos por cercas elétricas. Uma guarita, na entrada da rua, tem um vigilante por 24 horas. Além dos custos financeiros de tudo isso, pagos pelos moradores, há, muito maior, o custo emocional.
A adoção definitiva do desassossego. O medo permanente na vida de cada um. Casos de assaltos nas proximidades aumentam esse medo. Até quando, senhores políticos, de todas as castas e todos os credos, vocês vão abusar da paciência de uma sociedade temerosa e indefesa?