A última esperança

SOCIEDADE & CULTURA

Ivanildo Sampaio

4/19/20263 min ler

A vigésima terceira Copa do Mundo de Futebol começa no dia 11 de junho próximo, o Brasil estará presente mais uma vez, assim como esteve nas vinte e duas copas anteriores, sendo o único País do Mundo que disputou todas as edições, realizadas pela FIFA.

Já perdeu uma Copa, realizada no Brasil, no velho estádio do Maracanã, quando era apontado como "franco favorito". Mas, também ganhou, pela primeira vez, o torneio mundial na Suécia, quando era visto pela imprensa mundial, no início do torneio, como um grande "azarão". E revelou para o mundo um gênio que calçava chuteiras e ainda não completara 18 anos, cujo nome era Edson, mais que ficaria conhecido, na face da terra, apenas como Pelé. E para que mais?

A Seleção já sofreu uma goleada vergonhosa de 7x1 da Seleção da Alemanha, jogando em casa, sendo treinada por Luiz Felipe Scolari, o mesmo técnico que ganhara a Copa do Mundo pela quinta vez, jogando em países asiáticos. Já teve uma equipe composta de grandes craques e futebol encantador, treinada por Telê Santana, que perdeu para o futebol feio, mas produtivo, da Seleção italiana.

Mas, fatos são fatos: O Brasil foi cinco vezes ganhador da Copa do Mundo, jogando todas elas "fora de casa". Portanto sob qualquer prisma, a Seleção Brasileira, sempre é vista, pelos adversários, com respeito e admiração. O que nem sempre acontece dentro de casa. E pelos menos otimistas, como eu.

Teremos, pela primeira vez, uma Copa do Mundo disputada em três países, um deles, como o Canadá, sem qualquer tradição ou intimidade maior com o futebol. Os outros dois - México e Estados Unidos - se esforçam para crescer, mas não integram o "primeiro time" do futebol mundial. Órfão de títulos desde a Copa do Mundo disputada pela primeira vez em dois países - Coreia e Japão - o Brasil, também pela primeira vez, apela para o comando de treinador estrangeiro, que vai para o torneio carregado de dúvidas.

Na verdade, não há otimismo - pelo menos até agora - em relação à nossa Seleção. O treinador Carlo Ancelotti, com um contrato que lhe garante, até o final do ano, !0 milhões de euros , não justificou ainda o gordo salário que recebe. Não conseguiu armar um time, apontando os titulares e os reservas. Convocou para correr, jogadores completamente desconhecidos, que atuam lá fora sem muito brilhantismo. E se viu, nos últimos jogos, que a equipe não tem um padrão de jogo. Nas partidas comandadas por ele, a Seleção Brasileira jogou 10 vezes, sofreu três derrotas e empatou duas vezes. O resultado não é tão ruim, mas também não é tão bom. Nos dois últimos jogos, levou um "passeio da seleção francesa".

A única coerência que Ancelotti manteve até agora foi com a goma de mascar em sua boca, mantida desde a primeira partida até o último jogo-treino realizado, contra a é equipe da Croácia, felizmente com resultado positivo.

Acompanhei, como repórter, e por muito tempo, vitórias e derrotas da Seleção Brasileira. Vi mais vitórias do que derrotas. Vi o velho Estádio do Maracanã apinhado de gente, apoiando e gritando pela Seleção. Que a gente recitava de cor.

Desde as "feras" de João Saldanha, que acompanhei nos treinos e com as quais o técnico Zagallo seria campeão do mundo, na Copa do México - até o comando de treinadores que viriam depois, como Telê Santana, Zagallo e o próprio Scolari, sempre houve uma empatia dos torcedores com a Seleção. E fé nas vitórias. Não vejo isso acontecendo agora...

A imprensa podia , naquele tempo, criticar e discordar dos jogadores convocados, da ausência de nomes de sua preferência, dessa ou daquela escolha - mas havia uma base que todos conheciam e repetiam de cor. Uma cultura criada também por João Saldanha, que quando convidado para assumir o comando da Seleção falou, na mesma hora, o nome dos 11 titulares. E dos 11 reservas.

Na verdade, é até provável que depois de tantas convocações, de tantos chicletes mascados, de tantas viagens pelo Mundo observando jogadores em campos distantes e diversos, Ancelotti tenha, para si, os nomes dos 11 atletas que deverão estrear na Copa do Mundo "Tripartite", vestindo a camisa da Seleção Brasileira. E que façam uma boa partida. E um bom torneio.

Afinal, depois de tantas adversidades dos últimos tempos, de governos ruins e gestões muito ruins, de crises financeiras, escândalos bancários, instituições desacreditadas e ministros sob suspeição, a única instituição na qual o povo ainda nutre esperança é a Seleção Brasileira de futebol. Só ela pode devolver ao povo um naco de esperança e um pouco de alegria. Torçamos por isso.