Ficar o bicho pega...

POLÍTICA & PODER

Ivanildo Sampaio

5/2/20263 min ler

Nas últimas eleições presidenciais, votei em Luiz Inácio Lula da Silva, mas ninguém é perfeito. A bem da verdade, no primeiro turno o meu voto foi para Simone Tebet, uma candidata "do centro", vez que os extremos nunca me agradaram. Mas, enquanto o então presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro era radical demais, pela direita, Lula não era tão "esquerdista" assim.

De qualquer maneira, eu jamais votaria em Jair Bolsonaro, pelas seiscentas mil pessoas que deixou morrer por negacionismo ou burrice - ao não viabilizar a vacina contra a Covid; por debochar das famílias enlutadas; pela apologia que fazia a torturadores e à ditadura militar; pela mediocridade do que foi sua gestão; por alguns dos militares mais radicais que compunham seu Ministério; por serem poucos, em todas estas Pastas, os ocupantes que, no meu entender, merecessem o cargo que ocupavam.

Votei em Lula, ele ganhou a eleição por uma margem pequena de votos, sinal de que o País estava dividido, e, mais uma vez, ele prometeu demais para entregas de menos. E chega ao final do seu terceiro mandato rejeitado pela grande maioria do Eleitorado; seu discurso tem gosto de café chôco; pouco ligou para o equilíbrio das contas públicas; inventa um novo imposto a cada pesquisa que mostra a rejeição ao seu Governo; seus antigos redutos, como o Nordeste, já não são mais seus redutos. Lula envelheceu - e não apenas na idade, mas principalmente na visão do País; essa é a dura realidade.

Não adianta colocar a culpa na comunicação oficial, conduzida pelo ministro Sidônio Palmeira, porque marqueteiro faz marketing, não opera milagres.

O Sindicalismo de porta de fábrica, que atemorizava o patronato no ABCD paulista, esse não existe mais, embora o presidente Lula não tenha descoberto isso. O trabalhador de hoje não quer mais "carteira profissional assinada", quer ser dono do seu caminhar. Quando o presidente "inventa" um novo imposto, com a intenção de punir o empresariado, que ele continua vendo como inimigo, Lula sabe - mas finge não saber - que a sociedade como um todo será penalizada com a medida, e que esses custos serão arcados por toda a sociedade brasileira. Com medidas como esta e gastos sem controle, a dívida interna do País está muito próxima de alcançar os 90% do Produto Interno Bruto. E se o presidente for reconduzido ao cargo, antes de metade de sua gestão, essa dívida chegará aos 100%.

Na verdade, o Brasil anda carente de lideranças políticas, assim como anda pobre de técnicos de futebol. Para a segunda carência, a CBF foi lá fora e contratou, a peso de ouro, o italiano Carlo Ancelotti; se vai dar certo, não se sabe - sabe-se apenas que a despesa está feita, a Copa vem aí e nós não temos, até agora, uma equipe para chamar de nossa. Para a segunda carência, não se vislumbra, para além do horizonte, uma solução a curto prazo. Nem mesmo a médio prazo.

Os adversários de Lula nas próximas eleições - nenhum deles - se colocam no cenário político como donos de algum projeto, mensageiros de alguma proposta nova e real que possa diminuir o grau de incertezas e frustrações da sociedade brasileira, mas se dizem, todos eles, "bolsonaristas de raiz".

Não apenas o filho "Zero Um", também conhecido como Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro. Engrossam o cordão dos sonhadores os ex-governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, aliás, um gestor com altos números de aprovação no seu Estado; e Romeu Zema, que nega todas as tradições dos políticos mineiros e defende a divisão do País, com os Estados do Sul e Minas Gerais compondo uma República independente; e o Nordeste, que segundo ele, é "um peso e custa caro à Nação". Não creio que os nordestinos votem nele.

O governador Ratinho Junior, do Paraná, já disse, alto e bom som, que não pensa nessa disputa. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, talvez fugisse dessa mediocridade, tem uma gestão com bons números de aprovação, embora não consiga melhorar os índices de violência na capital, a maior cidade do Continente, (ninguém consegue), mas deixou claro desde o início, que prefere disputar a reeleição. E isso, de certa forma, representa um certo acalento para o presidente Lula, porque, segundo alguns analistas políticos, com Tarcísio de Freitas candidato, não haveria qualquer possibilidade de reeleição, talvez mesmo de um segundo turno. Esperemos, como dizia Fernando Collor, "o tempo é o senhor da razão".